
Paradoxo em que consiste o estudante: durante os anos que passam isolados em universidade e escolas superiores, os rapazes e moças vivem numa situação superficial, metade como reclusos previlegiados e metade como irresponsáveis perigosos. Junte a isso a aglomeração extraordinária nos centros de estudo e outras circunstâncias bem conhecidas que operam como fatores de segregação: seres reais num mundo irreal(...) A universidade é, ao mesmo tempo, o objeto e a condição da crítica juvenil. O objeto da crítica, porque é uma instituição que segrega os jovens da vida coletiva e que, assim, nesta segregação antecipa, de certo modo, sua futura alienação: os jovens descobrem que a sociedade moderna fragmenta e separa os homens. O sistema não pode, em razão de sua própria natureza, criar uma verdadeira comunidade. (Octavio Paz, O labirinto da solidão)

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