sexta-feira, 24 de julho de 2009

Proust


A mãe não vem, o menino não dorme.
O amor do menino dói entre as farpas do travesseiro.
O elástico, estático sobre o criado-mudo espelha
Os olhos do menino

A mãe não vêm, o menino não dorme.

O menino levanta, pega o elástico ainda não revelado
Estica, puxa, os dedos pequenos têm força
O amor do menino estica nas proporções do elástico.

A mãe não vêm, o menino não dorme.

O elástico revela sua grandiosidade, contorcendo-se dolorosamente para atender ao desejo de expansão do menino.
Sua fibra resiste com bravura ao movimento dos dedos inocentes e furiosos.


A mãe não vêm, o menino não dorme.
O elástico não rebenta e sofre o amor da noite toda.

2 comentários:

Márcio Bergamini disse...

o menino deixa escapar o elástico cuja ponta lhe acerta o olho.
O menino, cego, chora.

=]

muito belo.

Juliana Fabrícia da Silveira disse...

como vc é mau hahahaahaha