sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Não te amei como criança,
(embora meu amor fosse jovem e delicado)
Não te amei como homem,
(embora meu desejo de penetração sempre fosse imenso)
Não te amei como mulher,
(embora seja mais movida pelas sensações do que pelas imagens)
Não te amei como bicho,
(embora em mim existisse uma sede de carne e procriação)
Não te amei como o sol,
(embora andrentasse sua casa toda manhã para dizer-te bom dia)
Não te amei como o rio,
(embora meu amor, dolorido e intenso, sempre buscasse sua direção)
Não te amei como o oceano, largo e sem memória
(embora fosse imenso e escuro)
Te amei como eu mesma
Com dor e felicidade.
Não te amei como criança,
(embora meu amor fosse jovem e delicado)
Não te amei como homem,
(embora meu desejo de penetração sempre fosse imenso)
Não te amei como mulher,
(embora seja mais movida pelas sensações do que pelas imagens)
Não te amei como bicho,
(embora em mim existisse uma sede de carne e procriação)
Não te amei como o sol,
(embora andrentasse sua casa toda manhã para dizer-te bom dia)
Não te amei como o rio,
(embora meu amor, dolorido e intenso, sempre buscasse sua direção)
Não te amei como o oceano, largo e sem memória
(embora fosse imenso e escuro)
Te amei como eu mesma
Com dor e felicidade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Amiga

Amiga


Amiga,
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.

Micheliny Verunschk

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.

Não sei o que dizer, especialmente quando teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
- eu não sei como dizer-te que cem idéias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma serpente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer,
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstrato
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.

(Heberto Helder)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Capricórnio

Outono Marítimo, brisa da costa
Saindo do mar seu verdor radia
A marcha sem trote, o bálsamo forte
Livre de ciência e da teologia

É vida térrea que se funde
Ao mar horizontal, barro e sal
Ao olhos nus até se confunde
A Quilha com seu próprio pontal

Draconiano Peixe-Cabra
Em veneta maciota, aporta divino
Ao surgir teimoso, cêntuplamente viçoso
Carne do segredo e do refino

Com pragmática letalidade
Se arranca do peito jovial
Mas deixa patas e caudas
Na deprimência natural

Vinde veloz, com os cornos à frente
A colisão faz da vida nova semente
O brado crescente, o saber profundo
Teu passar é o mistério do mundo.

Da amiga Danny.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009



Era março,
Você tocava flauta com seus dedos de louça
Sacudia a cabeça - desbotada e itinerante-
Olhos de carvão molhado, pele de alabastro
_ Não é bonita, Deus não quis.
O ritmo anguloso dos versos de teus dedos
Tinha qualquer coisa de pássaro suicida que ainda não descobriu o oceano.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

É dia de Casamento!



"Aqueles dois acreditam em Papai Noel. Hoje é o dia do grande amor. Mas em sete anos ela irá fugir com outro ou ele terá encontrado uma garota mais nova. A linda casa será vendida e os filhos dispersados".(Trecho do filme "O homem que amava as mulheres", roteiro de François Truffaut).

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Não quero secar as tuas lágrimas, não resta piedade em mim para isso.
Não quero pronunciar teu nome, palavra opaca, gasta e indecisa.
Não quero a superfície líquida de teus olhos de cavalo velho.
Ninguém te amou mais do que eu, no entanto, tu permaneces distante:
Esfinge de papelaria
Destroço de navio
Sol de inverno.

Não quero a graça musical do teu sorriso,
(Para mim bastam as notas dissonantes da tua existência)
Notas capazes de erigir o caos e apodrecer a beleza das crianças.

sábado, 22 de agosto de 2009

the devil wears prada

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

oceano pacífico?


...e enquanto tua presença fez brotar o oceano da terra seca, tua ausência é o oceano vago e sem sentido, oceano sem criador, pagão e sozinho.

domingo, 16 de agosto de 2009

Literatura para iniciantes

Como todos sabem, a vida de celebridade exige um bom conhecimento das grandes obras literárias, e uma pessoa sem leitura dificilmente chega às capas de revistas e sites de fofocas. Veja 4 famosas que escolheram seu livro favorito, dentre uma série de clássicos da literatura mundial:


Paris Hilton, cantora e atriz
Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski


"O que eu gosto no livro é justamente esse conflito, essa dualidade entre o crime e o castigo. Eu também tive problemas pessoais com a lei, que me fizeram viver o mesmo drama do personagem, enfrentar o dilema entre o castigo e o crime. É como duas faces de uma mesma moeda."



Nicole Richie, celebridade

O estrangeiro, de Albert Camus



"Estou lendo esse livro pro meu filho. A médica disse que é bom a mãe ler pro filho que está na barriga e tal, é tipo uma demonstração de amor... enfim, pra estabelecer uma certa ligação com o feto etc.Mas só estou lendo porque ela mandou, na verdade não estou prestando atenção na história. Só sei que é sobre um estrangeiro."


Dakota Fanning, atriz
Em busca do tempo perdido (7 volumes), de Marcel Proust



"Os primeiros dois volumes eu achei meio bobos, mas depois a narrativa fica mais densa (risos). Gosto quando ele relembra o passado, e dos ecos que essa digressão temporal tem no fluxo do romance. Eu me identifico muito com o protagonista, ele mora numa casa grande e eu também, e atrás da casa dele tem um jardim com árvore, na minha também, só que no meu jardim tem uma piscina com água mineral e tobogã. Minha mãe não queria comprar o tobogã mas eu falei que o dinheiro era meu e aí ela comprou (risos)."



Amy Winehouse, cantora
O vermelho e o negro, de Stendhal
.
.
.
"Olha eu não li nenhum desses livros e nem vou ler, mas gosto de vermelho e gosto de negro (risos), não tenho preconceito (risos)."

sábado, 15 de agosto de 2009

kinsey- vamos falar sobre sexo?



Que tal quebrar mais alguns tabus sobre sexo?
Afinal, moralismos são só convenções tidas como verdade e você não é uma convenção, não é?

domingo, 9 de agosto de 2009

Erro




Não é erro dormir quando o sol nasce
Não é erro arrancar asas de borboleta
Para usá-las como sombrinhas.

Não é erro assustar cães e homens
Bater em crianças e oferecê-las em sacrifício
O sangue, o leite são só o começo
Não há erro no leite azedo
Não há erro no sangue do assassinato



Não há erro
Em todas essas outras coisas que nem são ainda.

_ Só teu sorriso como anúncio de outro desastre.

sábado, 8 de agosto de 2009

Universidade: universo de quem?



Paradoxo em que consiste o estudante: durante os anos que passam isolados em universidade e escolas superiores, os rapazes e moças vivem numa situação superficial, metade como reclusos previlegiados e metade como irresponsáveis perigosos. Junte a isso a aglomeração extraordinária nos centros de estudo e outras circunstâncias bem conhecidas que operam como fatores de segregação: seres reais num mundo irreal(...) A universidade é, ao mesmo tempo, o objeto e a condição da crítica juvenil. O objeto da crítica, porque é uma instituição que segrega os jovens da vida coletiva e que, assim, nesta segregação antecipa, de certo modo, sua futura alienação: os jovens descobrem que a sociedade moderna fragmenta e separa os homens. O sistema não pode, em razão de sua própria natureza, criar uma verdadeira comunidade. (Octavio Paz, O labirinto da solidão)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Portão da minha casa


Era um portão velho, porém de aspecto não repulsivo. Dias atrás eu e minha mãe havíamos repintado sua origem branca, resgatando seu tempo de glória de portão recém instalado para proteger a casa. Os estranhos e os olhares curiosos temiam a brutalidade branca e rígida do portão. Suas pontas, em direção ao céu, como lanças, indicavam que sua valentia se estendia até ao grande azul. O portão fora soldado ao cimento do muro e, à noite, muro e portão discutiam peripécias do ofício. Certo tarde, o céu adquiriu tons de cinza, seguido por um vento mal-humorado e intrometido. Derrubou os vasos de plantas e assustou os gatos da vizinhança. De repente, um estrondo. Um trovão? Com tal intensidade teria sido perto de casa? O trovão fora de um som metálico. Meu pai abre a porta, uma luz clareia a tempestade, um carro embrenhado nas entranhas do portão. O pára-choque encravado nas grades brancas, agora descascadas pelo impacto da batida, revela a cor primitiva do portão. Dos braços arrancados, resta apenas um, ainda soldado ao muro.

Era o fim


Era o fim, os argumentos estavam mortos, dissolvidos cruelmente em um copo de leite com chocolate. Você me pergunta: __ Qual é seu problema? Eu abaixo a cabeça, olho para os lados, sou covarde, não respondo. Ela insiste: __ Eu não entendo você. Continuo em silêncio, olhando para os lados. Lá fora chove, chove muito, sempre à tarde para acordar os defuntos de suas covas de monotonia. Ela começa a andar pelo apartamento com o copo de leite com chocolate nas mãos, eu continuo sentado, imóvel, doente das emoções.

Deus?


Desde criança eu temia Deus, as religiões dizem que devemos amá-lo, mas eu nunca amei Deus, eu o temia. Em meus sonhos infantis ele era sempre uma figura assustadora a cobrar-me fé. Tinha pesadelos com Deus que me faziam acordar assustada no meio da noite. De toda a família, aparentemente, eu era a única herege. A criança sem Deus da casa. Não por rebeldia, mas a religião sempre me foi algo estranho e incômodo. Ir à igrejas, ajoelhar, ingerir uma massa de pão embebida em vinho com a idéia de que aquilo era o corpo e o sangue de Cristo, isso era tão esquisito, ingerir sangue de alguém. Eu era criança, não gostava de vinho e pensava “O sangue de Deus é forte, não tem sabor agradável”, “Meus joelhos doem nessa tábua de madeira”, “A massa da hóstia gruda no céu da boca e incomoda”, “Por que Deus dói tanto?”. Deus, em meus nove anos, ficava reduzido às palavras complexas que eu ouvia da boca dos padres. Eu não gostava de padres, eles tinham cheiro de coisas velhas e falavam de um modo amável que não me agradava. Certa noite, em orações, que para mim pareciam mais códigos do que fé, pedi que Deus se manifestasse para mim, que me provasse sua existência, o resultado foi outro pesadelo. Nunca sonhei com o diabo, embora sempre falassem dele, ele não me amendrotava, afinal ele não exigia nada de mim, Deus não, estava lá, todo tempo, nas histórias que minha vó contava, nos latidos dos cachorros à noite, nos cantos escuros da casa velha, debaixo da minha cama, com seu grande olho que tudo vê, sempre a me exigir fé. Deus me perseguia até no banheiro e, em pensamento, me perguntava se Deus me acusava por não ter lavado direito os pés ou por ter não conseguido decorar o credo. Isso me deixava triste e a idéia de Deus me doía no peito. Com o tempo, graças à idade, não fui mais obrigada a ir à igreja por meus pais e, aos poucos, lentamente, como o andar de uma lagarta, Deus foi se distanciando e pude respirar com tranqüilidade, sem culpa de não crer.

domingo, 2 de agosto de 2009

Vamos comer Caetano




Essa música da Adriana retrata exatamente o que tenho sentido em relação às músicas de Caetano Veloso!



Vamos Comer Caetano

Composição: Adriana Calcanhoto

Vamos comer Caetano
Vamos desfrutá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo

Vamos comer Caetano
Vamos devorá-lo
Degluti-lo, mastigá-lo
Vamos lamber a língua

Nós queremos bacalhau
A gente quer sardinha
O homem do pau-brasil
O homem da Paulinha
Pelado por bacantes
Num espetáculo
Banquete-ê-mo-nos
Ordem e orgia
Na super bacanal
Carne e carnaval

Pelo óbvio
Pelo incesto
Vamos comer Caetano
Pela frente
Pelo verso
Vamos comê-lo cru

Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos revelarmo-nus

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A primeira noite de um homem





Tá, é estranho, eu, uma mulher falando da primeira noite de um homem.Mas digamos que gosto de ser diferente. Quando se usa a expressão "a primeira noite de um homem" logo pensamos na primeira vez de um homem com uma mulher. As coisas mudaram e a sociedade também, só não enxerga quem não quer. Bom, esse post é sobre um filme que assiste, muito interessante, por sinal, o filme se chama "C.R.A.Y.Z: LOUCOS DE AMOR", de Jean-Marc Vallée. Em resumo, no dia 25 de dezembro de 1960, Zachary Beaulieu vem ao mundo. É o 4º entre 5 irmãos, todos meninos. A infância de Zachary é marcada pelos aniversários natalinos em que seu pai (Michel Côté), invariavelmente, encerra a festa imitando Charles Aznavour. O menino detesta o Natal por que tem que dividir sua festa com Cristo, e seu aniversário passa quase sempre desapercebido. Zachary se sente diferente dos outros meninos, sem saber por quê, o pai diz-lhe que não quer um filho "borboleta", o menino tem medo e reza todas as noites para não ser o filho "borboleta" do pai. A delicadeza do menino chama a atenção de sua mãe, que o leva a uma espécie de profetisa. Essa, fazendo carinho em Zarchary, diz-lhe que ele tem um dom, que era só dele dentre os irmãos, por isso tinha que ser mais forte que os outros por causa desse dom que deus lhe tinha reservado. O menino cresce, se torna ateu. Sua adolescência traz a descoberta de uma sexualidade diferente e sua negação profunda para não decepcionar a família. E a maturidade, enfim, chega com uma libertadora viagem mística por Jerusalém, a cidade que sua mãe sempre sonhou conhecer. É em Jerusalém que Zachary tem sua primeira noite com outro homem e assume para si mesmo sua homossexualidade. Enfim, um filme lindo, sem mais nenhum comentário.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Proust


A mãe não vem, o menino não dorme.
O amor do menino dói entre as farpas do travesseiro.
O elástico, estático sobre o criado-mudo espelha
Os olhos do menino

A mãe não vêm, o menino não dorme.

O menino levanta, pega o elástico ainda não revelado
Estica, puxa, os dedos pequenos têm força
O amor do menino estica nas proporções do elástico.

A mãe não vêm, o menino não dorme.

O elástico revela sua grandiosidade, contorcendo-se dolorosamente para atender ao desejo de expansão do menino.
Sua fibra resiste com bravura ao movimento dos dedos inocentes e furiosos.


A mãe não vêm, o menino não dorme.
O elástico não rebenta e sofre o amor da noite toda.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ânsia


O filho tem ânsias de vômito quando o pai se aproxima; a mãe de vestido decotado e velho, entoa canções de cabaré, tem leite azedo derramado no chão da cozinha. Encolhido dentro de si mesmo, ele ainda respira. Uma sensação de desamparo recaí sobre o menino, quer gritar, quer enfrentar o pai, bater na cara dele até arrancar-lhe sangue. Quer xingar a mãe, dizer-lhe que a odeia. Não bate no pai, não ofende a mãe, não se mexe, fica imóvel, paralisado pela emoção da existência fútil. A ânsia de vômito volta. A porta dos fundos está aberta, lá fora está escuro, segura o vômito com os lábios apertados e dispara pela porta com seus pés descalços que mais parecem facas alternadas. No escuro, ainda respira com dificuldade. Não há luz, apenas vaga-lumes ao longe piscam delicadamente. Os pés na grama gelada reclamam a dor de pisar sem proteção. Quer gritar, quer desafiar Deus, quer odiar a si mesmo. Não o faz, engole mais uma vez o vômito, olha para a luz fraca dos vaga-lumes, olha para a porta de fuga, sente os pés latejando, e começa caminhar lentamente para o lugar de onde saíra às pressas.

sábado, 11 de julho de 2009

Lynch, Polanski e o E.T






Acabei de assistir "Eraserhead" do David Lynch e a imagem daquele "bebê" ( na verdade parece mais o E.T do Spiellberg quando bebê) fica me perseguindo. Apesar da maioria classificar como horrível a pequena criaturinha de cabeça melada e grande, eu senti compaixão por aquele bebê durante a maior parte do filme. Ele era horrível, mas era um bebê. Pensei em outro bebê, também horrível, ou melhor demoníaco, para ser mais condizente com o filme "O bebê de Rosemary" do Roman Polanski. Aliás, um dos meus filmes preferidos dele, por sinal. Todos esses "bebês" são horríveis, mas não deixam de inspirar uma certa compaixão, talvez afeto por eles, pelos simples fato de serem bebês. Podem ser até monstrinhos de cem olhos, famintos e repulsivos, mas só pelo fato de serem bebês parece que se tornam menos culpados de sua repugnância.

Hoje acordei meio barata


Resolvi expor hoje um enigma na minha vida, é claro que existem muitos, ai se não existissem, o tédio seria ainda maior, mas deixo o tédio para Fernando Pessoa e vou falar sobre essa letra misteriosa e reveladora chamada K, Josefh K., mais precisamente. Faz dois dias começei a ler "O castelo", de Franz Kafka. Já conhecera Kafka de " A metamorfose" e "O processo". O caráter sufocante desse último se repete: a burocracia engolindo tudo e tornando a vida do ser humano insuportável. O absurdo burocrático é, na maioria das vezes, o tema principal das obras de Kafka. Até o homenzinho-barata "Gregor Samsa" pode ser considerado uma representação alegórica da pressão trabalhista burocrática. Mas o mais interessante, quando se lê Kafka e se pensa em Kafka, não são os temas, mas o modo como ele conseguiu em uma linguagem límpida, não simbólica, explorar isso. O que se lê em Kafka é justamente o que está ali, o sentido literal mesmo, porém esse sentido como era de esperar de um gênio como Kafka atinge o estatuto de alegórico. Mas aí me vêem outras inquitações e outros enigmas (como que coisa poderosa é essa alegoria !) e como um homenzinho doente, q era kafka, consegui se tornar muito mais que um escritor, mas um persongem autor ficcional. Kafka não é só um autor, mas fez dele mesmo um personagem literário para representar o absurdo da existência.

Gênesis

Resolvi reativar esse blog. Confesso que já tinha quase o abandonado, mas uma tarde chuvosa de sábado resgatou o elo perdido. Talvez foi a chuva, ou a aventura da geladeira nova ( essa realmente é um encanto) ou, ainda, a tarefa sufocante de compreender os labirintos do castelo de Kafka. Enfim, sejam bem-vindos!!!